AUTORIDADES PRESENTES OU AQUI REPRESENTADAS, MEMBROS DO SODALÍCIO, SENHORAS E SENHORES,
Luisa Galvão Lessa Karlberg
Presidente da Academia Acreana de Letras - AAL

Digo-vos que a Academia
Acreana de Letras é uma instituição de literatos, historiadores, professores, linguistas,
médicos, advogados, jornalistas, antropólogos, pedagogos, juristas, teólogos, artistas.
Tem por objetivo principal cultivar,
estimular o culto ao idioma pátrio, a produção, a divulgação literária, a
pesquisa científica e social no Acre.
Importante, para nós, é que desse diversificado colegiado tenhamos produções
literárias que deem voz ao Estado do Acre, a exemplo de outras unidades da
Federação. O culto ao idioma pátrio é dever de todos, porque escrever é doar ao mundo aquilo que existe dentro
do nosso mundo.
O Acre, berço de uma
história ímpar, no Brasil, destaca-se, diante do mundo, por sua história
inigualável. Ainda, por sua posição geográfica, estando ao lado de países
andinos e, também, por situar-se no
centro-oeste da Amazônia, lugar habitado
por gente hospitaleira, ordeira, gentil. E, nesse cenário, a Academia Acreana
de Letras, através dos seus confrades, vem prestando relevante papel junto à
sociedade, na contribuição lítero-cultural.
Hoje, novos acadêmicos são
empossados:
---- Renã Leite Pontes, que tem por
antecessor José Higino de Sousa Filho, homem de integridade ímpar, primoroso
nas letras de seus belos romances. E, nesse cadeira senta Renã, um homem de
caráter ilibado, profissional brilhante, professor, poeta internacional, sonetista
grandioso, amigo dos amigos, esposo exemplar tal qual o Higino. Esta casa Vos
acolhe com a alegria do presente e a saudade do passado.
---- Arquilau de Castro Melo, tem por
antecessor Omar Sabino de Paula, um jurista renomado que tantos feitos legou ao
Acre. Em sua cadeira chega Arquilau de Castro Melo --Desembargador aposentado,
advogado, estudioso da literatura regional -- com a mesma precaução, cuidado,
zelo, compromisso com o Acre. Estudioso não apenas do Direito, senão também da
Literatura, onde encontrou em Euclides da Cunha a vocação para desvendar o
Eldorado brasileiro que se acreditava achar escondido no coração da floresta
amazônica. Este foi o sonho alimentado por muitos exploradores e cientistas
europeus, do inicio do século XX. E foi nesse universo que deu-se o encontre de
Arquilau com Euclides da Cunha, que o trouxe, nesta noite, à AAL.
---- Reginâmio Bonifácio de Lima, que tem
por antecessor Manoel Mesquita. Reginâmio é amante das Letras, da Teologia, da
História. Ciências ligadas à vida, à linguagem. Também possui similaridade com
o antecessor que tanto amava a Academia, a história regional. Reginâmio convive
com os infantos, e neles encontra a pureza, muitas, vezes, perdida nos adultos.
Mas acredita, assim como nós do sodalício, que ora abraça, que a verdadeira
literatura purifica almas, igualmente a ciência, como Pesquisador do CNPq e
Professor da UFAC.
---- Gilberto Braga de Mello, que tem por
antecessor Francisco Thaumaturgo, homem que tanto fez pelo Acre, pela Cultura,
pela política. Gilberto, um advogado e jornalista, debruçado em marketing e
propaganda, vai tecendo sua literatura em meio à política, preocupado com o
social, a região, as pessoas. Não são caminhos opostos, eles se confluem no
observar os cenários para modificá-los, sempre em prol do bem comum, do sonho
de toda uma sociedade.Aqui, Gilberto, na sua arte, realiza uma procura
apaixonada, tanto na literatura quanto na política. E, em ambas, a comunicação,
o discurso, o texto, é que realiza os propósitos e sonhos, para que não
fiquemos “de bubuia”, na vida, como descreve essa expressão, em seu dicionário.
Senhoras e Senhores,
Acadêmicos, a AAL, como ícone maior
da Língua e Literatura de expressão portuguesa no Estado do Acre,
arcando com o ônus do protelamento de inserir os nomes de Vossas Excelências em
seu Quadro de Acadêmicos,(foram
eleitos há mais de 1 ano) cumpre, hoje,
o nobre dever de justiça,
de incluí-los como
Membros Titulares e imortais
do nosso
sodalício, enaltecendo-os como quatro próceres da Cultura e Literatura
Acreana.
Então, senhoras e
senhores, estimados confrades e confreiras, é meu dever sagrado, nesta noite,
evocar os antecessores, buscar cumplicidade
com as experiências
passadas , com
as histórias humanas que já se
foram, com as existências
que lutaram e superaram suas contingências .
Celebra-se, portanto , nesta noite , a feliz coincidência de contar com antecessores
que trilharam caminhos
tão semelhantes
aos que os novos confrades irão percorrer. E, sob a inspiração
desses antecessores, com o espírito pacificado e a vaidade
sob intenso
controle, desejamos que abracem este momento de Vossas vidas, sem perder de vista o legado
que terão que deixar na bagagem que trazem hoje e naquela que irão consolidar
junto ao sodalício. O nosso desafio social, cultural e linguístico é imenso.
Assim, Renã, Arquilau,
Reginâmio e Gilberto nós, da Academia, nos identificamos por afinidades culturais, linguísticas e
literárias. Comungamos dos mesmos ideais: olhar um Acre sempre altaneiro,
igualmente a bandeira hasteada no pavilhão do Estado que se fez brasileiro.
Sentimos, que este
Sodalício, na noite de hoje, está feliz. Sentimo-nos honrados, orgulhosos e
cativados por Vossas Excelências, pela
bagagem que trazem convosco para esta Casa de saber. Todavia, estamos cientes
dos desafios que este século XXI nos impõe. A verdade é que vivemos na época
da velocidade, das gigantes
aeronaves, da Internet, do WhatsApp, do Tuitter, mas nos
sentimos enclausurados no tempo
da ciência revolucionária, da tecnologia que fecha e abre mundos. A
máquina, que produz
abundância, tem-nos deixado em
penúria. Nossos conhecimentos
fizeram-nos céticos; a nossa
inteligência, emperdenidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem
pouco. Dizemos uma coisa e fazemos outra. Beijamos alguém que dizemos amigo e o
apedrejamos quando nos dá às costas. Que mundo é esse que tanto oferece e tanto
nos tira? Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que
inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes,
a vida será
de violência e
tudo será perdido.
A Internet fez do mundo uma
aldeia, assim como a Televisão. Mas pensando bem, a própria natureza desses inventos só faz
sentido se o mundo for melhor. E, para isso, as pessoas precisam ser melhores.
Tudo isso é um apelo eloquente
à bondade do ser
humano... um apelo
à fraternidade ... ao
companheirismo... à união de todos nós em prol do bem comum. E um desses
bens maiores reside no mundo das letras, da literatura, que é a expressão da
sociedade, assim como a palavra é a expressão do ser humano. E para viver bem e
feliz devemos ser terrivelmente sinceros. No entanto, vive-se um paradoxo. É
incrível, quando se atinge a verdade passamos a fazer ficção, que é a invenção ou criação. Devemos ter cuidado,
atenção com as palavras, armas de constroem, mas que também destroem o mundo, a
vida, as pessoas.
Mas de tudo que digo, o
mundo da literatura, das letras, é fantástico, nos permite navegar por muitos
mares. A esse respeito, escutemos a voz de grandes literatos:
Mário Quintana - Esses que puxam conversa sobre se chove ou não chove
- não poderão ir para o Céu! Lá faz sempre bom tempo."
Fernando Pessoa - "A literatura, como toda arte, é uma confissão de que a
vida não basta".
Machado de Assis – “Não importa ao tempo o minuto que passa, mas o minuto que vem."
Goethe - O declínio da literatura indica o declínio de uma nação”.
Salamah Mussa - Não é a beleza mas sim a humanidade o objetivo da literatura”.
Émile Zola - “Os governos suspeitam da literatura porque é uma
força que lhes escapa”.
Max Frisch – “A literatura pode ser uma boa terapia pessoal, uma espécie de
psicanálise na qual não se paga um psicanalista”.
Roland Barthes - “A literatura não permite caminhar, mas permite respirar”.
Cesare Pavese - “A literatura é uma defesa contra as ofensas da vida”.
Adrian Frutiger - As páginas mais belas de um
texto são aquelas em que todas as letras compõe uma unidade em perfeita
harmonia”.
Perboyre Sampaio - “Quando um texto nasce, já
cumpriu sua principal função: harmonizar a alma de quem o criou”.
Saunders Lewis - Está claro que o "homem comum" não pode entender o extraordinário,
exceto na plenitude do tempo; e o extraordinário é a essência da
literatura".
Fernando Pessoa - "A literatura torna o mundo real, dando-lhe forma e
permanência".
Caríssimos
confrades, tendo eu a cultura e o saber como causa acadêmica e
projeto de vida, não poderia saudá-los se não conhecesse a escrita. Esta
questão do que é a sabedoria, e da dificuldade de compreender as informações
que se tem, é a grande agonia do tempo atual, da sociedade da informação, em
que faz chover, como tempestade, e inunda as pessoas de tanta informação, assim
como a enchente que invade os rios amazônicos e fazem as nossa alagações.
Por fim, eu não vou
mais cansá-los, senhoras e senhores, confrades e confreiras. Percorri este
caminho para enaltecer a chegada destes ilustres pares à Academia Acreana de
Letras. Mas o percorri, sobretudo, porque foi a escrita que nos fez, embora em
ofícios distantes, comungar um mesmo ideal: o idioma pátrio, a cultura, a
literatura. É a escrita que promove o grande encontro desta noite.
Vindes, Renã, Arquilau,
Gilberto, Reginâmio, integrar-vos ao seleto pugilo – com a só exceção desta que
vos fala --- de gente distinguida, condutora e defensora dos ideais mais
nobres, eis que promanam do culto à sagrada Língua Portuguesa e Literatura
Brasileira.
Labor omnia
vincit improbus... O trabalho
perseverante vence tudo.
Muito OBRIGADA e tenham
todos uma Boa Noite!
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